Quase Tudo o Que Eu Não Sou
Quase tudo o que eu não sou
Não costumo ter ataques
De histeria ou de tristeza,
Deixei de fazer questão
De guardar uma certeza,
E nem o meu coração
Se apaixona facilmente,
Nem choro por não encontrar
Uma companhia decente.
Os meus olhos não perseguem
Ninguém como um foco de luz,
Nem amo o som vulgaríssimo
Que a minha voz produz.
Nem sequer me deprime fazer
Com que alguém um dia se zangue.
Sei lá o que quero para mim,
Eu nem sei o meu tipo de sangue!
Perco cada pequeno objecto
Que me seja necessário;
Não seria capaz de matar
Por um sentimento primário;
É bem fácil amar e sofrer,
Difícil é ser alguém,
E sorrir e lutar e viver
E sair do ventre da mãe.
Não me conformo com tudo
O que me augura esta vida.
Vou subir, romper o céu
E encontrar uma saída.
Leonor Morais, 05-11-04

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