15 March 2005

Maçã Envenenada

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Consegui mais uma vez
Fingir que não existia,
Ultrapassar outro dia,
E viver neste talvez.

Consegui mais tempo sozinha
Deste tempo que não sonha,
Da verdade que se avizinha,
E esquecer a vida medonha.

Agarrei mais uma entrada
Para um quarto cheio de nada
E assim eu posso pensar.
Tenho a mente cheia de ar
De momentos que vão galopando,
E das horas que passam saltando
Que assim eu deixo escapar.

Injectam-me nos neurónios
Imagens de Deus e demónios,
Ideias de Bem e de Mal.
Mas eu sei que é tudo igual.

Sei que há ódio no amor,
Sei que há cura em cada dor,
E no mar há também terra,
Como a luz o escuro encerra.

Nem nada será eterno,
Nem nada será total.
Não há Céu nem há Inferno,
Nem somente Bem ou Mal.


Leonor, 16-11-04

1 Comments:

At 16/3/05 13:55, Blogger Sandra M. S. Sousa said...

Gostei, sim senhora. Continua, fico à espera!!!

 

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