30 January 2007

14 May 2005

Depois de tudo

Depois de tudo,
Depois de ti,
De mim e de ninguém,
Ficas calado.
Destroçado.
Mal amado por todos.

És como eu,
Igual a mim.

Parabéns conseguiste.
No teu lugar, perdia-me
Perdia-me em teus jardins
Mal amados

28-04-05

O teatro da vida

Dizem que havia um cego sentado na calçada em Paris, com um boné a seus pés e um pedaço de madeira que, escrito com giz branco, dizia: "Por favor, ajude-me, sou cego".

Um publicitário, da área de criação, que passava por ele, parou e viu poucas moedas no boné. Sem pedir licença, pegou no cartaz, virou-o, pegou no giz e escreveu outro anúncio. Voltou a colocar o pedaço de madeira aos pés do cego e foi-se embora.

Pela tarde, o publicitário voltou a passar em frente ao cego que pedia esmola. Agora, o seu boné estava cheio de notas e moedas. O cego reconheceu os passos e perguntou-lhe se tinha sido ele quem reescreveu o seu cartaz, sobretudo querendo saber o que tinha escrito ali. O publicitário respondeu: "Nada que não esteja de acordo com o seu anúncio mas com outras palavras". Sorriu e continuou o seu caminho.

O cego nunca soube mas o seu novo cartaz dizia:
"Hoje é Primavera em Paris e eu não posso vê-la".

Mudar a estratégia quando nada nos acontece pode trazer novas perspectivas. Temos sempre de escolher a forma certa de comunicarmos com as pessoas. Não adianta simplesmente falarmos, antes precisamos de conhecer a melhor mensagem para tocarmos e sensibilizarmos as pessoas.

Tenham uma boa semana e não se esqueçam que...

"A VIDA É UMA PEÇA DE TEATRO QUE NÃO PERMITE ENSAIOS. POR ISSO, CANTE, CHORE, DANCE, RIA E VIVA INTENSAMENTE ANTES QUE A CORTINA SE FECHE E A PEÇA TERMINE SEM APLAUSOS."
(Charlie Chaplin)

08 May 2005

“Here Comes the Flood”


Tu és, e vais sempre
ser, aquele que partiu.
Não me podias ter feito
isto, prometeste que
ficavas até ao fim.
ATÉ AO FIM.
E ainda nem começou.


Leonor, 03-05

My Love

I asked the moon if there was anyone as pretty as my love?
The moon vowed there was not.

I searched everywhere for the one like you
But this world has not.

I searched your beauty in the bud
I searched your beauty in the flowers
but any of them has none.

I asked the garden if there was anyone as beautiful as my love?
The garden vowed there was not.

Your style has that overflow of joy
Your hair has the story of night

Your lip is the mirror of lotus.
your eye is the queen of addiction

Are you the poem of Meer or a Gazal of Ghalib?
My love, your beauty might steal even the godliness from God.
I asked the poets if there was anyone as pretty as my love?
The poets vowed there was not... no... no... never...


Ganesh Karki

28 April 2005

Porque gosto de ti.

Eu estou aqui porque gosto de ti, não de uma forma convencional de amor ou amizade, mas um simples sentimento de afecto face a todas as tuas arestas... a todos os teus pólos... todos os defeitos e sorrisos que me dás a conhecer.

Eu estou aqui porque gosto de ti. Essa é a razão que faz vibrar o meu peito guardador de um coração juvenil.

Vim para erguer o teu olhar a mais alto, e para te ir lembrando, de tempos a tempos, que existo.
Eu não aqui estou por não gostar de mim ou por saber que tu podes fazê-lo. Eu estou aqui... porque... gosto de ti.


Leonor, 28-04-05

Vida

Que merda de vida
Quero chorar, mas não
sou forte, mas fraca
Mas porquê?
o que é que eu fiz?
Choro ofegantemente
preciso de ti
Mas será correcto?
A saudade começa a consumir-me
A estupida da saudade estranha.

Joana Rita, 27-04-05

27 April 2005

Porquê, Porquê?

Porque é que tu não entendes, nem fazes por entender?
Sabes que isto não vai lá com castigos nem meios castigos
Sabes que vos amo, mas não sabes se sei que vocês me amam
Tenho sorte de vos ter como pais
Azar de não me conformar com tanto
Mas mesmo assim nós somos uma família
Como tantas outras.

Joana Rita, 14-03-05

25 April 2005

03 – Dez. – 2004

Ateei um fogo no meu rosto que arde nas vossas compaixões e amores simétricos.
Vocês estão certos.
Mas eu não me vou acertar por vocês.

Leonor

16 April 2005

True friend (Para Leonor)

God made the world
with a heart full of love.
Then he looked down
from heaven above,
and saw that we all needed
a helping a hand,
someone to share with,
who will understand.
He made special people
to see us through
the glad times and
the sad times, too.
A person on whom
we can always depend.
Someone we can call a True Friend.

Ganesh, 07-01-05

12 April 2005

A Simbiose do Beijo

Todos os dias eles fizeram promessas.
Todos os dias eles juraram que iam ficar.
Nunca prometas amor nem o peças
Nem nunca fiques se puderes avançar.

Eles sorriram ao sol que se punha
No romantismo mais rebuscado.
Ambos eram vazios e pensaram
Que finalmente se tinham encontrado.

Fizeram todos os votos possíveis
Como vacina para a solidão.
Viveram nos trilhos mais caminhados
No amor seguro de quem dá a mão.

Ela morreu afogada em sorrisos,
Perdida em tarefas, afundada em funções.
Ele bebeu do veneno nocivo
Que tapa a visão dos mais bravos corações.

Nunca se soube se era um amor
Ou um não-viver que ambos unia.
Partiram na areia de uma praia sem cor
Enquanto o sol selava o fim-do-dia...


Leonor, Terminado no dia 11-04-05

10 April 2005

O Canto da Morte

Tenho a certeza que te ouvi hoje. Ou terá sido o meu ouvido que me traiu, vingando-se por estar privado do canto da morte?...
Tenho a certeza que te ouvi, ou não teriam os pássaros silenciado o seu piar para te escutar também.
Sei que te ouvi hoje, mas fui a única.

- Pareceu-me ter ouvido... – Começo, mas calo-me. Então sorrio: «Ao meu ouvido, foi concedido o desejo de escutar o canto da morte.»


Leonor, 30-03-05

06 April 2005

ALTAS EXPECTATIVAS

No outro dia fartei-me de estar sempre a dizer a mesma coisa.
Fugi para outro lugar e nem sequer repararam.
Eu queria que sentissem a minha falta, mas acho que se esqueceram de fazer isso.
São um bocado distraídos.

Talvez seja eu... que espere demasiado deles.

19 March 2005

Como prometido, venho anunciar que o blog Gandatrofio voltou! Tem alguns posts antigos mas já acrescentei uns novos. Houve 3 ou quatro que são novos mas ficaram no fim, vão lá ver. Os outros também recentes estão no início. Endereço: www.gandatrofio.blogs.sapo.pt vão lá e comentem!

Escravidão

Disseram-me, quando era pequena, que podia tocar o céu… mas o céu está tão longe! E há uma trepadeira que me prende a este mesmo jardim onde fui deixada sozinha. Uma trepadeira que sobe em direcção ao azul e que me vai sufocando devagar, prendendo-me os movimentos, fazendo lentamente parar a minha respiração. E se ontem o ouvia, já não sei se o que hoje oiço é realmente o meu coração ou o sussurro do vento, que lança os meus cabelos em direcção ao horizonte.
É uma trepadeira de braços grossos, folhas gordas e carnudas, que agora, beijada pela Primavera, se vai enchendo de flores vermelho-sangue, o meu sangue: não há força mais revigorante que a força com que ela trepa em direcção às estrelas, à noite, e ao sol, de manhã; a força que outrora me roubou.
Agora, aqui, presa, a chorar lágrimas que ao tocarem no verde selvagem do chão, onde repousam os meus pés, se tornam pequenas gotas geladas, vejo a vida passar ao meu lado, a roçar-me pelos joelhos e a deixar-me para trás.


Leonor Rodrigues

15 March 2005

Maçã Envenenada

.
Consegui mais uma vez
Fingir que não existia,
Ultrapassar outro dia,
E viver neste talvez.

Consegui mais tempo sozinha
Deste tempo que não sonha,
Da verdade que se avizinha,
E esquecer a vida medonha.

Agarrei mais uma entrada
Para um quarto cheio de nada
E assim eu posso pensar.
Tenho a mente cheia de ar
De momentos que vão galopando,
E das horas que passam saltando
Que assim eu deixo escapar.

Injectam-me nos neurónios
Imagens de Deus e demónios,
Ideias de Bem e de Mal.
Mas eu sei que é tudo igual.

Sei que há ódio no amor,
Sei que há cura em cada dor,
E no mar há também terra,
Como a luz o escuro encerra.

Nem nada será eterno,
Nem nada será total.
Não há Céu nem há Inferno,
Nem somente Bem ou Mal.


Leonor, 16-11-04

08 March 2005

Vírus


Sabes o que tu és?
Tu és a merda de um vírus
Que nos entra pela boca,
Deixas a mente louca
Pela droga imaterial.
Sabes o que tu és?
És o vício que me agarra
E me deixa sempre rouca
No meu Juízo Final.

Este vírus que me come
Que me ama e que se some
Este fumo que se estraga
No abrir da minha chaga...
E a minha voz embala
Esse choro que se cala.

Sabes o que tu és?
Tu és a merda do vírus
Que alimenta a minha boca.
Deixas a mente louca
Pelo Juízo Final.
Sabes o que tu és?
Es o vício que me amarra
E me deixa sempre rouca
Com a droga imaterial.


Leonor, 08-03-05

07 March 2005

Ponto de aplicação

Odeio fingir ver o que vês,
Acordar mais uma vez,
E a poluição sonora.
Destesto todos estes porquês,
Esta aula de Português,
Deixem-me lá ir embora.

Detesto ser a última a saber
Mas a primeira a sofrer,
E esse conformismo nojento.
Detesto se me bates sem ver,
E reparar sem querer
Que estou a falar com o vento.

Eu não sou assim tão estreita,
Mas não precisamos todos
De um motivo para chorar?!
E encontro-o neste mundo,
Como um pensamento profundo
Mesmo à mão de semear.

Agarro em todos estes momentos
E com o meu ódio sincero
Piso-os, deito-os abaixo,
E odeio-os porque quero.


Leonor, 10-11-04

01 March 2005

Desorientaste-me

Desorientaste-me, fizeste-me sofrer de hipocondria
conseguiste alterar toda a minha filosofia
em relação à vida, em relação às pessoas
És doce como seda, mas quando queres tambem magoas
Não sei o que fazer, no interior estou perdido
(...)
Metade de mim roubaste com a tua beleza
No fim a outra metade foi inundada por tristeza
Contigo os minutos eram horas, os dias eram anos infindáveis
Tudo isto me fez pensar que quando tudo acaba ficamos mais vulneráveis
O que me assombrava não era o tempo que não passava
era ver que o meu amor por ti nao desaparecia e perdurava
a distância entre nós nao tinha relevância
apenas alimentava o desejo de sentir a tua fragrância
no meu coração alojada com ternura
fizeste-me ver que a vida e tão pura como dura
É isto que eu sinto
aquilo que não entendo
como é que o amor
provoca este estranho sentimento
depositei em ti toda a minha confiança
deste-me carinho e retribuí-te com uma doce lembrança
muitos foram os dias em que pouco ou nada dava certo
em que a nossa vida se transformava numa caminhada pelo deserto
uma vez disseste que a boca que nos beija
é a mesma que nos declara guerra
eu não acreditei, porque coração que se abre para alguém
jamais se encerra
Por dentro ardiam mágoas, por fora isso era visível
saber que nunca mais te ia ver era uma tortura indiscritível
solitário lembrava-me da primeira vez
que os nossos olhares se cruzaram
do momento em que as coisas à nossa volta
de repente se desfocaram
(...)
Aquele dia já passou mas continua marcado no peito
tentei mudar as coisas mas o mal estava feito
nada valia mais que um sorriso na tua cara
A palavra adeus foi como uma arma que dispara
Tentei mil e uma maneiras mas com isso mais sofria
O que dantes era magia tornou-se feiticaria
Tentei ser forte tentei sentir o que já não sentia
A verdade é que antes do final a saudade já existia
tudo o que agora sinto é profunda solidão
Procura e verás o meu nome gravado no teu coração
Através destas palavras de ti me despeco
Nunca te esquecas de mim é tudo o que te peco.
----
Ivo

Nao voltes...


Estou farta. Estou cansada de me ver reflectida nos teus olhos e perceber o que pensas. Estou farta das tuas mentiras, das tuas birras e dos teus apetites, das tuas intencoes. Sinceramente, deixaste de fazer parte das minhas preocupacoes diarias, dos meus pensamentos de cada noite. Porque, e e verdade o que digo, ja nao te amo.

Ha muito tempo que passaste ao lado de qualquer projecto futurista que pudesse passar pela minha cabeça. Ha muito tempo que os meus olhos deixaram de te querer dizer alguma coisa; tu e que ainda nao tinhas reparado. E nao achas que e tarde para pedires desculpa? Nao achas que e tarde para eu o aceitar?!

Podes acreditar em mim: sentirei para sempre falta de ter ver chegar cada manha, com esse teu sorriso que iluminava tudo e todos. Não me vou esquecer de ti. Simplesmente, deixou de fazer sentido qualquer gesto e qualquer palavra mais quente que pudesse guardar para ti. Simplesmente, deixou de valer a pena ser sempre eu a dar o que querias, e tu nem teres chegado a perceber as minhas reais necessidades. Não bastavam telefonemas, nem cartas a pedir “desculpa!”.

Tenho pena... Tenho pena de estar farta, farta, farta! Tenho pena por ti. Mas ficaras melhor, depois...! O tempo cura todas as magoas, como alguem uma vez disse. Também não acreditava, mas depois deste tempo todo, começo a ver o quao verdadeiras são estas palavras.

O motivo de tudo isto e... não sei bem como dize-lo, mas... Vai-te embora e nao voltes! Deixa-me ficar so entre as minhas memorias de tempos em que fui feliz. Deixa-me apodrecer, se for preciso, entre as lagrimas que a minha alma chora. Mas nao voltes. Sera pior. Não voltes.


Diana, 13.07.2004

28 February 2005

Imortal

Sei bem como é morrer, já morri milhoes de vezes. A minha língua percorreu os teus caminhos
cor-de-cereja. Também já amei milhões de vezes... e pelo menos hoje, só hoje, gostava de ser imortal.

28-02-05

Ele…


Ele gosta de ver pérolas
no cetim da minha pele.
Ele morde sempre o rosto
da brisa que o impele.
Ele toca no meu ombro
e soluça que tem frio.
Ele é o desabrochar
do prazer de um arrepio.

Ele gosta dos meus lábios
que estrangulam um sorriso.
Ele diz uma oração
que disfarça o seu aviso,
Pois inveja o coração
daqueles de quem eu preciso.


28-02-05

26 February 2005

Mas claro...

Gosto de ti.
Gosto de tudo o que fazes de errado,
Quero ter-te sempre ao meu lado
E dar-te o que tenho para dar.

Gosto de ti.
Gosto quando lutas com o teu próprio prazer,
Gosto quando me olhas e eu sinto o que é viver
Sei que me amas mais do que eu me posso amar.

Gosto de ti.
Gosto de sentir que vou sempre amar alguém,
Saber que sou tanto raptor como refém
E sorrio, mas claro, vou deixar-te esperar.


26-02-05

Puberdade


...Oiço o som das vossas palavras sem o perceber. O que não entendemos é sempre mais fascinante, não é? E nem tentarei perceber-vos, pois não aguentaria a desilusão de descobrir que o que pensam é fútil, idiota, sem sentido...que os vossos pensamentos são só lixo, lixo mais inútil que banalidades. Ou pior, de descobrir que por detrás das vossas palavras não existe nada, ou apenas outras palavras e outras e outras e outras... nem pensamentos elaborados durante horas e treinados em frente do espelho, nem sentimentos de qualquer tipo, nem ideias. Só... palavras saídas directamente das vossas hormonas. Que nojo. Será que, com a puberdade, também se perdem os miolos?!!

31-10-04

Olá, venho só agradecer a toda a gente que tem participado neste blog. Significa muito terem decidido partilhar os vossos textos e pensamentos. Aos que ainda não tiveram a coragem, espero que a obtenham brevemente! Obrigado, continuem!

Leonor

25 February 2005

«I must have died alone, a long long time ago.»
...
Leonor, (Nirvana)

Porque te amo tanto...?
Para sofrer quando não te vejo?!
Para sofrer quando não te toco?!
Para sofrer quando não te beijo?!
...para sofrer cada vez mais??!!
...
Anónimo

24 February 2005

Nunca temi a loucura


Não tenho medo de amar.
Nem de correr pela relva descalça
Nem de sentir a emoção falsa
Que foi escrita no teu querer.

Não tenho medo do vento.
Não tenho medo de algum pensamento
Que devaste como chuva o meu ser.

Nunca temi a loucura
Nem dei valor à censura
De quem não é como eu.
Não tenho medo do céu.
Não temo o que é infinito.
Não magoa o que é bonito.
E Deus só quer o que é seu...

Nunca tive grande coragem,
E não me agradava a paisagem
Mas também não fugi.
Por isso, não tive medo,
Fiz do mundo inteiro um segredo,
E agora conto-to a ti.


Leonor, 28-04-04

Sinto-me confuso
Não sei para onde vou
Nem sei para onde quero ir
Não tenho destino marcado
Vou onde o vento me levar
Como as sementes que voam
de país a país
sem saberem quem são
Quando pousar não vou saber quem sou
Mas só sei que gostaria de pousar num lugar:
Em que tu lá estivesses.

Anónimo

23 February 2005

Estações do Ano


É verdade, sim.
É verdade que perdi.
Perdi-me a mim
E perdi os dias.

Ando há tanto tempo
Neste mundo, nesta roda
Que ninguém quer.
E vou com o vento
Ou com a chuva.

E no Inverno pontual
Perco a cor e perco o rumo.
E já não reparo o mal,
Olho em frente.

E o Verão leva consigo
Aquela parte da liberdade
Que tanto custou a ganhar.
Fica, no fim, a saudade.

E, sim!, é das minha lágrimas
Que se forma a tua chuva.
É pelo meu correr desenfreado
Que notas a dor do mundo.
E como está ele magoado!

Não vale a pena gritarem mais,
O sussurro, oiço eu melhor.
Parto em busca de ideais
E de um sol, p’ra mim, maior.



Diana Mendes

22 February 2005

Liar

«And all I want is something special,
And you can’t give it to me,
And all you do is lie to me,
’Cause you’re a liar, liar, liar.»
Leonor, (Cranberries)

Todos os dias vejo-o entrar e a sair,
Umas vezes triste ou alegre,
Mas que ser tão ambicioso
Ele quer isto e aquilo
Ele chateia-se comigo
Por isto e aquilo
Não vejo qual o problema.
Era só um objecto insignificante
Ele só quer coisas insignificantes
Ele só pensa em coisas insignificantes
Está vivo não está?
Isso é o que interessa
Pois eu sou capaz de passar dias à fome.
Estou sempre contente
Estou sempre a brincar
E nunca me viram a queixar
Mas no fundo até compreendo...
Olha, aí vem ele me alimentar.



Anónimo

Perfeita

Tu és perfeita,
Apesar de ninguém o ser,
Mas para mim o és, és bela,
O teu cabelo são as nuvens,
O teu rosto é o sol,
Os teus olhos são o céu e vêem tudo,
Os teus lábios são a terra,
E eu sou uma criatura qualquer,
Que ama tudo o que tu és.


Anónimo, 21-02-05

O Amor

...vivi em todos os meus sonhos,
desde os de menino até aos de hoje,
quando completo 13 anos.
Pena que só o tenha vivido em sua plenitude,
em cada poema que escrevi.


Pedro Cruz

Tecer mentiras para sublinhar
verdades.


Contar histórias, engolir lágrimas.

Fugir com o medo no bolso.


Sabes que mais?


Estou mesmo farta. Preciso de sonhar como toda a gente e não posso. Enfiaram-me num buraco pois sou diferente. Fecharam-me numa jaula e deixaram os meus gritos ecoar na sala vazia, no universo encaixado entre óculos e guarda-chuvas nos perdidos e achados de algum sítio público e infectado.

Com sofreguidão, sugo as últimas moléculas de óxigénio do teu beijo.


Fico à espera e alguém. Não sei de quem, mas está atrasado.

21 February 2005

Dei um tiro no escuro
Mas de nada resultou
Dei outro atrás de outro
Mas de nada resultou
E pensei, que preciso:
Luz que me acompanha
Luz que me ilumina
Luz que me aquece
Luz que és tu.

Sem ti vou continuar
A falhar e a fracassar
Sem ti a vida não fará sentido
E continuarei a dar tiros no escuro.



Anónimo

«Ser infeliz não é passar por uma má situação, mas é não ter a coragem para enfrentá-la.»

Midian Magoo

Hoje


Hoje
vai ser
um dia
diferente.
Ela vai levantar-se do espírito dormente.
Vai erguer-se dos momentos perdidos e da morte,
Vai sorrir e perdoar a perspicácia da má sorte.

Hoje ela vai vestir-se de encarnado.
Vai viver e amar a tristeza do seu fado.
Irá rir-se, com os outros, da cor da sua ironia.
Ela vai beber o sangue que suporta cada dia.

Hoje ela vai resgatar o nosso tecto.
Ela vai morrer gritando num diferente dialecto.
Andará sobre o oceano das coisas que já não sente.
Hoje
vai ser
um dia
diferente.


Leonor, 20-02-05

15 February 2005

«I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter...»
-
Gil, (Linkin Park)

Máscaras

Máscaras

O céu está vazio para mim, esta noite.
As estrelas não brilham no seu protagonismo partilhado.
A coruja não emite um ruído sequer.
Não há nada que se escreva, a não ser o próprio silêncio,
que desistiu há muito de nos falar.

O céu está vazio para mim, esta noite.
Não vou sonhar no escuro do quarto.
Não vou depender de sílabas para me soltar
e o vácuo do meu choro será brilhante.

Usamos máscaras para não nos apagarmos.



Leonor, 21-12-04

13 February 2005

-------[Arde Sem Se Ver]-------

Arde Sem Se Ver

Triste sentimento ou falsa sensação
Mil e uma vezes o que sentimos é em vão
Procuro no meu íntimo a resposta a esta dor
Desabafo num rascunho tinta de pouco valor.
Vivo todos os meus dias exilado no meu mundo
Mente consciente está em sono profundo
Afundo tanta dor escrevendo ao luar
Procuro objectivos impossíveis de alcançar
São tantas as noites que acordo assustado
Foram longos os dias que por ti estive obcecado
(...)

A ânsia de ter tudo invade a nossa população
Geração infectada é digna de ebulição.

O meu passado, as minhas vivências
Deixaram-me atordoado e repleto de carências
Amor é uma delas, sem motivos eu não sinto
Simples ou complexo perco-me neste labirinto
Não julgo, nas sou julgado porque minto
Porém eu não esqueço o profano mandamento:
"Esquece a casca pois a maravilha esta lá dentro."
(...)
Arde sem se ver, alastra sem se notar
Só peço que na vida me deixem saber amar
Amar, amar, ilusória palavra essa
Percorro o meu caminho evitando qualquer pressa
Por vezes é dificil conter as emoções
Penso duas vezes, evitando ilusões
Para feridas de amor infelizmente não há cura
Esmagam-me o coração derretem a minha armadura
Tentando curá-las vou encontrando cicatrizes
Por muito que valorizes nunca idealizes
Sou imune a doenças tipo atracções fatais
Pessoas uma vez amadas para mim são imortais (...)
Arde sem se ver, alastra sem se notar
Por favor corresponde ao meu amor para eu poder sonhar
(...)
Tantas lágrimas vertidas, tantas mágoas já esquecidas
Noites seguidas, na solidão foram temidas
No lado esquerdo do peito a dor para mim falou
Agora sigo em frente pois essa merda já passou
Um apelo a todos aqueles que sofrem diáriamente:
Não se deixem abater dêem poder à vossa mente
Arde sem se ver, alastra sem se notar
Vivo esta vida com a ânsia de amar
Amar......
.....
Ivo, 27-5-2004

Poema

Veo más allá del mundo
y siento que eso s mas profundo
q estar aquí y no poder escapar.
Solo puedo ser libre sin vida
Y estar en todos lados y en ningún lado a la vez
Y ser nada y ser nadie
Ser como el viento exento de todo.
Ser como el tiempo que pasa y deja rastro.
Ser algo abstracto, algo irreal.
Pero libre al fin, libre al fin…


Janet

A Minha Amiga

A minha amiga é
Um poço de segredos que eu conheço.
Um campo de flores que eu amo.
Um rio de água que eu bebo,
Sorvendo o brilho que não me pertence. (...)

Já as palavras perderam o sentido
De tão repetidas e previsíveis que são.
Já os campos deixaram de ser verdes
P’ra dar lugar às cinzas dos tempos que lá vão.
Já o ar deixou de ser consumido,
Pois os pulmões, fracos, não respiram.
Os versos já não rimam,
Os pássaros já não cantam
E a vida não passa deste triste fado irreversível
Até as dedicatórias marcadas no banco
Perderam o significado…
Tudo vem, tudo vai.
Não sabemos se havemos de ir
Ou de ficar…
Parece que com a puberdade
Se perde a capacidade de voar
(tornando-nos inevitavelmente narcisistas)
E conforme o tempo passa,
Tornamo-nos cada vez mais decrépitos e vulgares
Com tendência a criticar tudo e todos
E pela Mão de Um só,
Deitamos as mágoas a afogar,
Limitamo-nos a não pensar
(já não temos poder de decisão)
Mas… oh incontestável ditador da vida,
Até do mais controverso pormenor,
(Seja feita a vossa vontade)
Será meu dever informar-lhe,
Que começamos a perder a fé?!
(se é que não perdemos já…)

E assim nos deixamos ficar…
Olhar calmo,
A vermos as horas passar…
Até que, com esta monótona melodia
Fechamos os olhos…
Há de chegar a nossa vez…
Joana Ramos

«You're cynical and beautiful
You always make a scene
You're monochrome delirious
You're nothing that you seem
I'm drowning in your vanity
Your laugh is a disease
You know you're everything I need...»
Leonor, (Goo Goo Dolls)

Tu Não Voltas Mais

Tu não voltas mais

As pausas do silêncio marcam o compasso
Do choro reprimido que sempre amordaço
Aqui a lua é grande e os dias são iguais
E eu cá não estou sozinha só que tu não voltas mais.

E as notas musicais ressoantes nos ouvidos
Vão trazendo pensamentos em memórias escondidos
As pessoas estão presas nos seus próprios canais
E cada dia me diz que tu já não voltas mais.

As árvores do caminho já não são para contemplar,
São de algo já vivido o venerado lugar.
Esta chuva pede a luz de um sol já algures escondido
E encontro nas memórias enterradas um abrigo.

Não respondo quando chamas os meus dias para os teus,
Não dou valor aos sinais que pensava serem Deus
Rastejo em memórias antigas como cobra em pantanais
Ou voltas ou então ficas, que eu não aguento mais.



Leonor, 5-02-04

Crazy

Crazy

Oh yes, friend! I'm crazy- that's just the way I am.

I see sounds,
I hear sights,
I taste smells,
I touch not heaven but things from the underworld,
things people do not believe exist,
whose shapes the world does not suspect. (...)

- oh yes, friend! I'm crazy- that's just the way I am.

You're clever, quick with words,
your exact equations are right forever and ever.
But in my arithmetic, take one from one-
and there's still one left.
You get along with five senses,
I with a sixth.
You have a brain, friend,
I have a heart.

(...)
Your world is solid, mine vapor,
yours coarse, mine subtle.
You think a stone reality;
harsh cruelty is real for you.
I try to catch a dream,
the way you grasp the rounded truth of cold, sweet coin.
You think the hills are mute
- I call them eloquent.
Oh yes, friend! I'm free in my inebriation
- that's just the way I am.

Look at the withered tongues of shameless leaders,
The dance of the whores
At breaking the backbone on the people's rights.

(...)When I see the tiger daring to eat the deer, friend,
or the big fish the little,
then my teeth grind together, all thirty-two,
top and bottom jaws.
And then,
red with rage my eyeballs rool
round and round, with one sweep
like a lashing flame
taking in this inhuman human world.
My organs leap out of theirs frames
my breathing becomes a storm,
my face distorted,
my brain on fire, friend!

Oh yes, friend,
my brain is whirling, whirling- that's just the way I am.


Laxmi Prasad
(adaptado)

12 February 2005

Oi. É só para dizer que toda a gente pode publicar neste blog com o que quiser: excertos de músicas, letras, cartas, textos, poemas, pensamentos... etc. Para isso enviem para o meu mail - leonor_rainyday@hotmail.com - os vossos trabalhos. Também são livres de manter o anonimato. O texto pode, ou não, ser submetido a uma adaptação por mim - decidem vocês. Por favor participem. Obrigado!

Carta (excerto)

Desculpa se mudei. Não fui eu que quis. Acho que cada vez menos entendes o que estou a sentir todos os dias. Cada vez menos vejo em ti a tentativa de ajudar.

(...) Olho para ti e vejo que tens medo. Vejo que sabes que vais perder tudo aquilo a que davas mais valor – e se calhar a culpa não vai ser só dos outros, como estás habituada.
Não, não peço desculpa. Seria rebaixar-me ao mais baixo nível de humildade: Eu não sou assim.
Ficas aí? Está bem, então eu fico aqui. Nunca fui de andar atrás de ninguém, até porque acho isso ridículo.
Sempre pensei que ser amigo era dar o braço a torcer... mas valerá a pena?! Fazer felizes os outros quando nos sentimos uma miséria. Não me parece bem.(...)


Anónimo

«Cause I’m not afraid of what I don’t know
For understanding is all that I earn
But what is for sure is I’m going to go
I’m going to live and I’m going to learn.»


Catarina (Hoobastank)

E encontrei no mais poluído oxigénio o mais puro dos descansos. Talvez uma morte. Ou talvez não. Ninguém se irá aproximar para ter a certeza.

Leonor

A Balada do Café Triste

Nunca imaginei que algum dia chegasse cá… Caminhava pensativo, na suja e escura rua que lá fora repousava tranquila, esquecida… Só a luz da lua crescente se infiltrava por meio dos prédios apertados entre si…

Tentava imaginar que os papéis a esvoaçar na superfície do chão fossem folhas secas de Outono, e que os altos arranha-céus fossem árvores mais antigas que o mundo próprio, mas não… Era aí que o homem estava destinado a viver, numa floresta vinda numa revista de “faça-você-proprio”. Levantei a cabeça ao céu… As estrelas eram quase impossíveis de olhar, devido ao excesso de luz na cidade… Eram três da manhã… Ainda faltavam horas para o amanhecer. Esqueci fosse o que fosse e segui caminhando.

Um bêbado vinha andando pela rua, cuspindo palavras vulgares enquanto se agarrava ao mundo para não passar ao mundo dos sonhos. É possível que o homem tenha uma vida desgraçada… É possível que a sua vida seja melhor do que a minha. Eu achava que era melhor que o homem passasse então ao mundo dos sonhos, já que nas suas palavras, manifestava um rancor profundo a este mundo.

Parei por um instante frente a um local. Duas mulheres atrevidamente vestidas, fumavam à sua porta, à procura de dinheiro fácil, à procura de alguém que marcasse as suas vidas para sempre, mesmo que elas não dessem por isso.
“Alô, monsieur… Tive problemas em casa… esta noite não tenho onde ir dormir… faço o que você quiser…” disse uma daquelas almas mortas para mim…

A minha face virou-se para o anúncio de grosseira luz acima da porta… Digo grosseira, pela agressão que faz, no meio de tanta escuridão. Dizia “A Raposa e A Estrela”.

Não há necessidade de dizer que irrompi no local.
A seguir, não consegui olhar a mais de meio metro. O fumo intenso, de quanta nicotina, ou substâncias ainda mais fortes, desfilavam elegantemente no ar, qual boémias borboletas. Perto de cem temas, podia ouvir nascer, crescer e ser cruelmente assassinadas, para logo perder-se no tempo, emitidas pelas vozes roucas e mórbidas, provenientes das rudes mesas de madeira tosca, que já começava a observar. Mas, como uma bem-vinda, comecei a ouvir uma musica como que vinda do céu: a voz de uma mulher cantava “Garota de Ipanema” ao fundo do local. Isto acordou uma luz em mim… Tanta que não era capaz de ficar ali. Mas fiquei… e aqui estou a ouvir mais baladas, a preencher esta folha de palavras inúteis, que relatam uma experiência espantosa….

Já acabou a musica. Só bebi um coinntreau. O homem a arranjar as cadeiras manda-me sair. E foi ali fora que me encontrei com o que estava à espera há horas: um céu cor-de-rosa… Um céu amarelo… Rubro. Em fim: um céu como Deus manda!


Midian Magoo


Andei quilómetros só para sentir o teu cheiro, o cheiro forte do imperdoável.
Esperei centenas de anos para ver os teus olhos, que brilham como a chuva cintilante na minha pele.
Escrevi na minha dor o teu prazer inconformado de um gato relaxado numa janela.
Mas já desisti, e deixo-me agora derreter na solidão de um canto para ler. Ler as estrelas. Ler os viajantes. Ler as capas que a lua traz.
É à noite que morres sozinho, e ninguém lá está para ver. É à noite que sofres num castelo de euforias retalhadas...


Leonor

«Amar é ultrapassarmo-nos.»

Maria (Oscar Wilde)

«But what comes up must go down.»

Rui, (Linkin Park)

Reverência ao Destino


«Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo te deixa irritado. Difícil é expressares o teu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende. E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade. Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo. Difícil é entregar a alma. Sinceramente, por inteiro.

Fácil é sonhar todas as noites. Difícil é lutar por um sonho.

Eterno é tudo aquilo que dura uma fracção de segundo, mas com tamanha intensidade que se eterniza, e nenhuma força jamais o resgata.»


Leonor, (Carlos Drummond de Andrade)

Se Hoje Fosse Domingo


Se hoje fosse domingo, tenho a certeza que te encontrava. Sei que não te poderia ver, é o dia da família. Conheço, no entanto, os teus passos. Por isso, bastava seguir-te. A tua saída de casa, sonolenta, sentada no banco de trás do carro dos teus pais.

Telefonavas ao fim da tarde. Eu já quase desesperava. Em minha casa, ao domingo, cada um toma conta de si, por isso, as horas passavam à tua espera. Quantas vezes desejei que tivesses coragem para faltar ao almoço de família e correr ao meu encontro! E, apesar disso, acabei por aceitar a tua ausência, vivia contente porque, no dia seguinte, te amava ainda mais, como se a saudade do teu corpo me desse uma nova força.

Um dia sonhei que tinha passado um mês de domingos. Há muito te não via, no sonho adiavas os nossos encontros com pretextos sem sentido. Caminhava por uma praia deserta em busca de ti, pássaros estranhos (as gaivotas da nossa praia?) pousavam a meu lado, a noite chegava e não te via. Estavas sempre ao pé de mim, excepto aos domingos.

Devo-te dizer que nunca suspeitei de nada. Agora que olho para trás e tento compreender, tenho a certeza que nunca deixaste um sinal, um indício qualquer, um simples olhar, qualquer coisa que me fizesse pensar. Insisto que te via todos os dias excepto aos domingos. Já não somos crianças, como sabes não foste a primeira, mas ainda te hoje repito que só a ti amei a sério. Por que razão fingiste até ao último momento? Por que motivo corrias para mim (excepto aos domingos...) com o sorriso que sempre adorei?

Não sei se quero recordar, embora tenha a certeza que nunca esquecerei. Também deves lembrar-te. O Miguel avisou-me a tempo, sempre foi o meu melhor amigo. Quando fui ao vosso encontro, só queria não ver o que estava certo de encontrar, tu a curtir com um gajo qualquer na festa de escola.
Não houve ralhos nem zangas, gritos ou cenas foleiras. Tudo acabou com a tua frieza e o teu olhar distante, já não gostavas de mim, pronto.
Oh, como fiquei cansado! Como desejei morrer naquele instante, como senti o mundo a desfazer-se à minha volta! Quero que saibas que a raiva tomou conta de mim por breves instantes, envergonho-me mas digo-te: apeteceu-me que morresses comigo, se não eras minha não poderias ser de mais ninguém.

Depois, uma estranha calma tomou conta de mim. No dia seguinte era domingo, já estava habituado a passar sem ti.
O tempo ajuda, podes crer. Hoje é sábado, sinto as saudades do teu corpo. Amanhã não te vou ver, mas não faz grande mal, nunca te veria. O que me custa é ter de dar explicações aos meus pais, nunca poderão perceber como te amei. Os pais pensam sempre que são namoricos sem importância, não entendem como a minha vida era feita a pensar em ti. Vê lá que o meu pai até disse que não há falta de mulheres! Se calhar ainda não percebeu nada...

Se hoje fosse domingo, ia à tua procura. Parava à esquina do restaurante e ficava a ver-te, tenho a certeza que continuas a sentar-te naquela espécie de montra, de frente para a estátua. Amanhã, olha em frente: devo estar lá, vê com cuidado, conheces-me bem, sou mesmo eu.


Bernardo (adaptado)

«I walk a lonely road, the only one that I have ever known. Don´t know where it goes, but it´s home to me and I walk alone.»

Rui, (Green Day)

«Leva-me contigo. Quero um amor condenado. Quero ruas à noite, vento e chuva, ninguém a querer saber onde estou.»

Leonor, (As Horas, Michael Cunningham)

Quase Tudo o Que Eu Não Sou

Quase tudo o que eu não sou


Não costumo ter ataques
De histeria ou de tristeza,
Deixei de fazer questão
De guardar uma certeza,
E nem o meu coração
Se apaixona facilmente,
Nem choro por não encontrar
Uma companhia decente.
Os meus olhos não perseguem
Ninguém como um foco de luz,
Nem amo o som vulgaríssimo
Que a minha voz produz.
Nem sequer me deprime fazer
Com que alguém um dia se zangue.
Sei lá o que quero para mim,
Eu nem sei o meu tipo de sangue!
Perco cada pequeno objecto
Que me seja necessário;
Não seria capaz de matar
Por um sentimento primário;
É bem fácil amar e sofrer,
Difícil é ser alguém,
E sorrir e lutar e viver
E sair do ventre da mãe.
Não me conformo com tudo
O que me augura esta vida.
Vou subir, romper o céu
E encontrar uma saída.


Leonor Morais, 05-11-04